“A pintura é uma gravação da emoção” Edward Hopper
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Fulvio Pennacchi (1905 - 1992)

Villa Collemandina - Garfagnana Toscana, Itália 1905 - São Paulo SP 1992.

Pintor, ceramista, desenhista, ilustrador, gravador, professor.

Biografia e História

Italiano de nascimento, este artista de grande e variada capacidade produtiva formou-se em Lucca e em Florença tendo estudado com Pio Semeghini, um poeta da luz que apesar de seduzido pela Paris pós-impressionista foi capaz de reinventar sua memória rebatendo o plágio. Com sua orientação Pennacchi desenvolveu sua capacidade de contemplação penetrante que transmutava em uma imagem firme e precisa sem sinal de fadiga ou incertezas.

Armado com a seriedade da pintura acadêmica participa da onda de grande patriotismo puro fundada sobre as obras dos grandes pintores do Trecento e Quattrocento; conseguiu entender e reunir as concepções artísticas próprias da Paris pós-impressionista compreendeu bem o significado do parêntesis cubista, futurista e do intelectualismo metafísico e se preparou para produzir uma pintura de matriz clássica que, segundo o próprio Pennacchi, devia ser caracterizada pela precisão do traço e da forma além da decisão  no uso das cores. Se quisermos podemos dizer que sua fórmula estética desse novo classicismo era reduzida a idéias claras, proporção, modéstia e bom senso.    

Conhecia a fundo os antigos mais representativos dos primitivos italianos e a espiritualidade, sobriedade e dignidade o aproximava a Masaccio e Giotto[1]; do Novecento[2] herdou a relação espacial e volumétrica que representará, após muitos estudos, em suas paisagens através da solidez dos muros, da maciça geometria das casas e das figuras e da ancoragem das figuras a terra[3].

Tendo sido obrigado a abandonar a Itália dos megalômanos por não concordar com a obsedante, facciosa e totalitária direção imprimida pelo fascismo[4] que, pouco a pouco dominando todos os aspectos da vida quotidiana italiana, determinara que também através da arte se fizesse a exaltação do regime, Pennacchi chegou ao Brasil em 1929, diplomado no curso superior de arte mural do Real Instituto de Arte Passaglia, iniciando sua longa carreira artística que, entre nós, perdurou por mais de 60 anos, tendo sido amplamente reconhecida pelo público, entes governamentais e pela crítica.

Aqui chegando, revitalizou a técnica do afresco, do qual se tornou seu maior expoente, conseguindo um novo híbrido: o feliz casamento entre a tradição, o modernismo, os valores clássicos e o gosto contemporâneo. A tradição era representada pela releitura dos valores volumétricos e espaciais dos pintores italianos do ‘300 e ‘400 que, aos claros e elementares volumes geométricos do ‘300, haviam juntado a perspectiva, possibilitando o aparecimento de uma arte monumental, distintamente presente nos afrescos da Igreja de NS da Paz e nos de grandes proporções.

Sem nunca abandonar o desenho[5] e a pintura de cavalete, na serenidade de seu ideal de maneira sintética e poderosa, decidiu-se, em 1937, pela pintura mural; primeiramente a óleo para em seguida dedicar-se o affresco[6], com extraordinário resultado artístico e sucesso crítico. A fase muralista duraria até 1959[7]. Ele havia trazido da Itália os valores relativos para a constituição de uma obra unitária e harmoniosa onde a arquitetura, o ambiente, a decoração e os elementos gráficos deveriam fundir-se num projeto a muitas mãos.

É claro que Pennacchi havia ponderado sobre a importância de trabalhar concomitante ao nascimento de uma arte proposta pelos artistas unidos sob a égide do Novecento e sua produção artística daquele período demonstra que ele havia aceitado de fazer parte daquele movimento. Mas, oriundo de uma família da qual havia herdado profundos valores cristãos, Pennacchi era mais fascinado pelo milagre da vida e grandiosidade da Criação do que pelo mito adulto do classicismo romano e ao mesmo tempo absolutamente contrário a quem pudesse apoiar a pintura pequeno-burguesa do último Ottocento. Ele mesmo escreveu que, quando da sua chegada ao Brasil, preferia viver muito modestamente que adaptar minha arte ao gosto da burguesia local.

Com apenas 36 anos produz uma obra prima: trata-se do projeto arquitetônico e dos monumentais afrescos da Igreja de Nossa Senhora da Paz, para a qual concebeu um projeto com a releitura do estilo românico para a construção propriamente dita e adotando os princípios do “rappel à l’ordre[8]”, reelaborou o estilo primitivo italiano do Tre e Quattrocento pintando afrescos que através do sóbrio equilíbrio dos espaços cheios e vazios, harmonizam-se à monumental concepção dos grandes arcos e da transcendência dos planos, criando a pintura das verticais em contraste com a pintura a peso das cores[9]. Tudo muito simples; de gosto moderno com sabor de antigo onde o ritmo geométrico encerra com discrição cada figura ou cada elemento de figura.

Porém, seus temas prediletos são os retirados do cotidiano, pouco heróicos, às vezes dolentes, mas sempre persuasivos que faziam contraponto ao celebrado, icônico, simétrico e simbólico “estilo lictório” de Piacentini que tentaria imortalizar através de uma falsa solenidade e severidade, o falso classicismo; criando, ao invés de uma legítima releitura, uma caricatura, tão bem apontada por Malaparte, Rivera, e recentemente, por Botero.

A produção concomitante de esculturas em terracota propiciou, a partir dos anos 50, tendo como ponto de partida os estudos das terras e argilas locais, uma obra cerâmica de característica única – inimitável!

Seu percurso artístico no Brasil sempre contemplou a atividade humana e através dela sua homenagem à Criação e ao “divino que todo o ser humano contém”. O volume e o claro-escuro dos anos 20/30 que fora utilizado como resposta à superfície sem perspectiva do cubo futurismo dos seus anos formativos, foi paulatinamente substituído pelo figurativo e pelas cores presentes nas “Fontainebleau e Barbizon” tropicais.

Homem reservado, mas de grande cultura, também se expressava através da poesia, que por não se preocupar com estilos e rimas, conseguia imprimir aos seus escritos ritmos musicais e ondulados. O texto, por sua vez, sempre demonstrou a rara qualidade do artista ter consciência do alcance filosófico de sua arte.

Nossa herança: Como homem, Pennacchi, nos deixou o exemplo de uma vida em constante construção, pautada por coragem e caráter sem recuos, trabalho, perseverança na busca e conquista de seus ideais, amor a Deus e ao seu próximo. Como artista, nos transmitiu uma obra em que estavam presentes os arquétipos da sua tradição toscana, a rigorosa e séria releitura da tradição classicista, aliadas às profundas reflexões sobre a Criação.

 

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